
- A Mighty Heart (em produção);
- The Game (pensado);
- Artigo sobre a final da Premiere e mais umas coisinhas...
Sem efeitos especiais. Sem maquilhagem. Sem gente bonitinha demais. Sem decorações perfeitas. Sem cenários ideias. Sem a Paris dos filmes, mas com a Paris dos amantes! Crua, selvagem, sexual, mal-educada e LINDA!
Julie Delpy, a abençoada Julie Delpy, agarrou nos ensinamentos prodigiosos de Richard Linklater e, como em fórmula que ganha não se mexe, as semelhanças são muitas. Um filme que aparentemente sem ser sobre Paris, aborda algumas das suas vertentes mais enigmáticas e que não costumam ser tão abordadas nos filmes.
O filme propõe-se como uma abordagem às entranhas duma relação que, nos dias de hoje, se pode considerar longa (dois anos que podem ser abalados em dois dias) e que chega ao seu ponto de impasse: ou os amantes melhoram a sua relação e são felizes para sempre ou separam-se e ficam amargurados por não terem tentado mudar o outro ou mudar-se a si próprios de maneira a encaixarem, a se compatibilizarem. As diferenças entre Marion, uma fotógrafa francesa encorajada desde cedo a estar em contacto com a sua veia artística, e Jack, o típico americano neurótico, medroso e hipocondríaco, são mais que evidentes, eu diria mesmo que são gritantes! No entanto, mais do que evidente também é o facto de se amarem e de quererem que a sua relação resulte.
Julie Delpy parece o que é. É um génio e auto-retrata-se de forma brilhante no filme. Usa os seus próprios pais para interpretarem os pais da sua personagem, o que nos leva a crer que Julie é Marion ou pelo menos grande parte de Marion parte de Julie.
Seja quem for, Marion é divertida, impulsiva e muito parisiense!
Um filme sem pretensões, que é o que é: um brilhante texto, actual, pungente, político sem exageros, com diálogos inteligentes, mas não aborrecidos e sem brilhantismo na execução. Uma realização mediana, sem rasgos de genialidade, mas que cumpre o seu papel.
Na minha opinião, a genialidade do texto está em colocar o homem numa posição, que normalmente o cinema não explora: a posição de ciumento, neurótico, inseguro e desconfiado. Normalmente, são as mulheres que são retratadas desta forma… Por outro lado, os estereótipos culturais da boémia francesa, da sexualidade, da higiene, tudo é levado ao extremo!
Uma comédia romântica inteligente que dá um murro no estômago a todas essas loiras de Hollywood que para aí andam: chega de histórias da Bela Adormecida e do Príncipe Encantado! Nós já sabemos que ele não existe e é muito mais interessante ver o outro lado das coisas! Como aceitar um Príncipe menos Encantado, mas que nos encanta?
Porque como diz Julie Delpy: “all men are a pain in the but”.
Ah e não posso terminar sem vos deixar a genial frase publicitária do filme realçada pela minha grande amiga Joana e que resume todo o filme: Ele sabia que Paris era a cidade dos amantes, só não sabia é que eram todos dela…
Agora vamos falar na obsessão de Tarantino por mulheres! Os close-ups são maravilhosos, despudorados e intimistas in a trashy way. São retratados dois tipos completamente diferentes de mulheres, mas vemos como ambos os grupos são semelhantes e todas nós nos identificamos com as saídas à noite, as conversas sobre homens, os pormenores escabrosos e tudo o que de bom e mau há numa verdadeira relação de amizade entre mulheres.
A cena do strip não é tanto exploração do sexo feminino, é mais uma demonstração de como um homem, mesmo profundamente marcado pela vida e com marcas físicas de violência, como o Stuntman Mike (aproveito para dizer long live Jack Burton – Big Trouble in Little China, de John Carpenter em 1986), consegue manipular uma mulher, consegue levá-la a fazer o que ele quer, ao mostrar-se afável, sensível. Além disso, a banda sonora é perfeita e a Vanessa Ferlito faz um papel fantástico, libertando-se e sendo o mais vulgar possível.
Vi uma entrevista de Tarantino no Leno em que este dizia que quando estava com um amigo, estava sempre só com um amigo, mas quando estava com amigas, estava sempre com várias. E ele soube captar a essência feminina na perfeição com diálogos geniais, uma percepção estranha da nossa convivência e, fundamentalmente, uma direcção de actores (actrizes, neste caso) brilhante. A vingança é outro dos temas repetidos, o que nos chega por pequenas alusões a Kill Bill, muito pouco subtis…
Uma nota breve para destacar Zoe Bell, do mais cómico que há!
Tarantino e as suas mulheres: ou se ama ou se odeia… Eu amo!
Resta-nos esperar pelo igualmente genial Robert Rodriguez e a segunda parte da saga Grindhouse no século XXI.
Ora vamos lá pick the brain of Mister Tarantino… Ele agarrou em dois pormenores fundamentais, que, já havíamos compreendido em filmes anteriores, adora: 1. a riqueza de filmes antigos e a certeza de que o visionamento de muitos filmes, bons e maus, o fizeram evoluir; 2. a força e o poder da mulher, enquanto sexo fraco, ou talvez não… Assim nasce Deathproof.
E assim nasçam mais 500 filmes de Tarantino. Gosto muito de cinema e gosto muito de Tarantino e não acredito que todos os filmes bons tenham que ser chatos, moralistas ou sequencialmente lógicos. E este é um exemplo puro de como um filme com um argumento sem principio, meio e fim pode ser óptimo, enquanto exercício de cinema e enquanto entretenimento. Cinema é diversão e Deathproof diverte-me, in kind of a twisted way, mas diverte-me!
Não sou o género de menina de ir ao cinema e ter medo de filmes de terror ou virar a cara nos momentos maus, confesso que a repetida cena de colisão frontal de que toda a gente fala me divertiu brutalmente, mas vamos falar do filme…
Uma homenagem aos filmes de série Z. Eis o que gosto e o que não gosto. Em primeiro lugar, adorei as imagens icónicas do filme, que se reflectem sobretudo no retrato ao estilo pin up da mais que sensual, sexual, Jungle Júlia, gostei da cena inicial de estrada, que recorda tantos filmes da minha infância e até um pouco o Bonanza na apresentação do genérico. As falhas de continuidade estavam geniais e relembravam o verdadeiro propósito do filme: entretenimento! A passagem de preto e branco para cor está muito interessante, na medida em que numa primeira parte (a preto e branco), o terror adensa-se e a viragem no filme começa com a passagem para cor. Depois, não gostei tanto dos cortes sem sentido, das interrupções de diálogo, simplesmente porque estão forçadas demais, não batem certo com a parafernália que nos remete para o séc. XXI, como os telemóveis modernos.
25 DE ABRIL SEMPRE! FASCISMO NUNCA MAIS!
Vão para a rua e sintam a revolução nas vossas veias! Sem ela eu não poderia escrever tudo o que escrevo aqui, não poderia mesmo escrever nada!
É triste… é triste chegar à conclusão de que a Liberdade de Expressão faz com que certas bestas que por aí andam pensem que podem dizer tudo o que lhes vem à cabeça, inclusive incitar à violência desmedida, irracional e sem motivo.
É triste… é triste verificar que podes matar alguém, usando não armas, mas pura violência extrema e seres condenado a apenas 4 anos e três meses de prisão.
É triste… é triste ver ao que a democracia, o sistema politico supostamente “mais perfeito” pode condenar-te a ter que levar com estas bestas em pleno horário nobre na televisão a gritarem Viva o Hitler!
Só gostava que o próprio do Hitler se levantasse da campa e aplicasse a esta gente o mesmo castigo que aplicou a centenas de milhares de pessoas inocentes, porque essas não mereciam, já estes…
BEM, mas o que eu quero mesmo dizer é o seguinte grupos como os Hammerskin, os 1143 e até mesmo o PNR e as suas fachadas de que são apenas um partido politico e que esta é apenas uma tentativa de “diabolização” da sua imagem, não devem e não podem existir!
O Procurador Geral da República que se diz tão atento que leia melhor a Constituição e ponha esta gente toda num sítio escuro e bem recôndito que é onde eles devem estar! Não há pachorra! Estamos no séc. XXI e ainda é permitido a esta gente criar a Juventude do Partido Nacional Renovador que vai servir apenas como instrumento para tornar jovens mal-formados e mal-educados, no sentido em que não têm um verdadeiro acompanhamento e uma verdadeira educação que os faça distinguir o Bem do Mal, em instrumentos de violência, em puppets de uma ideologia que todos julgamos morta e enterrada, mas que assim só pode renascer das cinzas e incomodar-nos a todos!
Quantos de nós já não sentiram o medo quando nos cruzamos com estes indivíduos na rua?? E todos sabemos que mais tarde ou mais cedo algo vai acontecer e portanto algo tem de ser feito!
Basta! Basta de ficarmos de braços cruzados e apelarmos à liberdade de expressão para estas pessoas dizerem tudo o que querem, quando eles próprios atentam a liberdade de expressão ao ameaçarem pessoas que se expressam contra os seus valores!
Cada vez sou mais fã dos Gato Fedorento pelo que fizeram e por não terem medo de represálias e espero que continuem com críticas ácidas e livres de medos. Alguém tem que falar!
Mas para quê tanta análise a um filme, que não passa de puro entretenimento visual? Eu não sei, mas não vi no filme “300” de Zack Snyder nenhuma alegoria aos tempos modernos nem ao conflito Ocidente vs. Oriente e críticas perpetuadas à Administração Bush. Até porque sinceramente já não tenho muita paciência para criticar mais o Bush! Mas… vamos lá, só mais um bocadinho… O homem é burro, é; é equivalente ao Rei Leónidas que pensa que pode tudo com 300 espartanos, é; está sempre contra o oriente, está; pensa que tem sempre razão, pensa; mas pessoal, este homem burro como as portas vai lá estar até ao final do mandato e depois baza e se Deus, Alá ou qualquer outro sádico que esteja lá em cima e que goza connosco a toda hora permitir, daqui a uns anos só se fala no Bush como anedota!
É verdade que analisando o filme tem algumas semelhanças com a actualidade, já estou mesmo a ver o Bush de corpinho bem-feito a aguentar as tropas ali até ao fim, sem medos, sem piedade! No entanto, não me parece que essa seja a melhor forma de avaliar o filme. Parece-me que temos que avaliar o seu conteúdo narrativo e o seu papel enquanto linguagem cinematográfica, que arrebata bilheteiras pelo mundo inteiro.
Quanto à narrativa, acho o filme fraco, os diálogos pouco contundentes e todo o filme parece apenas estar desenvolvido para poder mostrar as partes em que não há narrativa, ou seja, as sequências violentas, com um poder visual fantástico, mas pouco elaboradas a nível de narrativa.
As interpretações são fraquinhas, aliás nada de especial. Tenho que defender Rodrigo Santoro que está irreconhecível no seu papel de Rei Gigante à frente de um exército gigante, perverso, belo e perfeito. Achei a opção de o tornar gigante fantástica e muito visual, muito bem conseguida no sentido de explorar ao máximo os mitos da civilização grega. Não concordei com a opção de dobrar as falas do próprio Rodrigo Santoro que poderiam ter beneficiado de um pouco de sotaque já que o rei Xerxes não era grego nem falava inglês, tal como os gregos não falavam, mas enfim…
Só uma pequena nota aparte: não é fantástico como no mundo de Hollywood toda a gente fala inglês, ele é o Alexandre, é o Leónidas, o Xerxes, o Jesus, só falta porem a Madre Teresa de Calcutá a cantar Madonna, porque no fundo toda a gente no mundo tem obrigação de conhecer por inteiro a cultura anglo-saxónica!
Mas… continuando…
Em termos visuais, acho o filme perfeito. Estabelece uma linha divisória muito marcada entre a sombra, perpetuada pelos asiáticos, e a luz da liberdade, defendida até à morte pelos gregos. E por se tratar de imagens claramente tratadas, claramente próximas da linguagem de BD, a violência e o sexo não se tornam tão fortes, são mais leves, porque nunca temos a ilusão da realidade, sabemos que é tudo ficção.
Sempre fui fascinada pela mitologia grega e tenho a dizer que acho fantástico todos os filmes, livros e formas de arte seja de que forma forem que a exaltem, porque não houve civilização mais próxima da perfeição. Os criadores da democracia estão sedeados em Esparta e, na época, acreditava-se que era o povo descendente de Hércules, esse misto entre Deus e Homem. Acho que o filme é bom no sentido em que nos apresenta as mitologias gregas esquecidas numa época em que só as grandes Batalhas se comemoram, da forma mais real possível. E aqui nunca se pretende atingir o real, mas sim o fantástico, o mitológico e é isso que todos procuramos no cinema: o fantástico!
Não sou normalmente uma rapariga muito ponderada, mas ponderei muito até me decidir a fazer este blog, coisa que muitos amigos meus questionavam…
Demorei, porque devagar se vai longe e não me sentia ainda preparada para assumir este compromisso comigo própria, o de fazer o que realmente gosto e o que realmente gosto de fazer é ESCREVER!
Escrever, pegar numa caneta e deixar os meus pensamentos deambular… O objectivo do blog é fazer isso mesmo, é um exercício de escrita, é obrigar-me a mim mesma a escrever sobre as coisas que mais amo, sendo elas as artes! A sétima destas é a que mais suscita prazer e será, portanto, o foco central deste espaço cibernético, onde espero que tirem algumas ideias, algumas sugestões, alguns pontos de vista que ainda não analisaram e espero que vocês partilhem comigo os vossos! No fundo, este é um espaço de partilha de opiniões sobre filmes, música, séries de televisão (by the way¸sou viciada na Fox Life), entre outras coisas!
Sintam-se à vontade para me fazer sugestões, comentários ou até criticas maldosas e destrutivas! Eu aguento!
O cinema é o centro nevrálgico do mundo! Nele se condensam todas as artes e a sua magia leva-nos a viajar até ao mais intimo da vida de outra pessoa, de outro mundo, de outra realidade, na mais bela das formas de invasão de privacidade que existe!