Sunday, January 29, 2012

Se7en

Quando comecei este blog, a principal intenção seria falar sobre os filmes da minha vida... aqueles que me marcaram... Entretanto, tenho escrito não só sobre os que me marcaram, mas sobre os filmes que vou vendo ou que me vou lembrando ou que quero muito ver...

Hoje não! Hoje vou voltar ao propósito inicial e falar sobre um dos meus filmes preferidos, um daqueles que me marcou por quase todas as razões que poderia marcar: porque gostei das actuações, da história, da realização, da fotografia e mais do que isso, porque o vi na altura certa. Na altura certa porque foi na altura em que ele foi feito e na altura certa porque foi na altura em que a minha paixão por cinema se começava a desenhar como algo mais sério e começava a perceber que era uma paixão à qual nunca conseguiria virar as costas.

Se7en estreou em 1995 e eu devo tê-lo visto logo que saiu em Portugal. Ou seja, eu teria 13 ou 14 anos. E perguntam vocês: porque é que uma miúda de 14 anos foi ao cinema ver um filme tão pesado?...

Eu e a minha Júlia sempre tivemos estas ideias fabulosas para ir ao cinema. Tínhamos o nosso ritual acordado com os pais e muito encorajado sobretudo pelo meu pai. Todas as 4as, como não tínhamos aulas à tarde, íamos ao cinema ver um filme escolhido por nós. Normalmente o nosso ritual de escolha implicava verificarmos os actores (Brad Pitt, neste caso), parte da história (quanto mais louca melhor) e procurávamos sempre o filme mais gore possível. Não me perguntem porquê: foi apenas uma fase que levou à descoberta de filmes tão maravilhosos como o Se7en, o Shallow Grave, Nightwatcher, Lock Stock and Two Smoking Barrels, Underground, etc...

Neste filme em particular, lembro-me que juntámos um grupinho com o argumento do Brad Pitt. Lembro-me que tivemos que mentir à mãe da minha colega Carolina, que só nos deixava ir ver filmes mais leves e eu lhe contei uma história de qualquer outro filme mais leve que teria ido ver com o meu pai no fim-de-semana, para que ela pudesse fingir que teria ido ver outro.

Lembro-me de estar sentada no cinema e perguntar à Júlia: esta história é real? Lembro-me de que quando foi descrito sem grande pormenor o crime ligado ao pecado da Luxúria, sentir as minhas entranhas a arrepiarem-se perante a crueldade do crime. Lembro-me de ver a cena final a chorar, porque, como a personagem de Morgan Freeman já nos havia dito, não havia um final feliz para esta história, mesmo que eles tenham apanhado o assassino.

É incrível como é que 15 anos depois me lembro com pormenor do que senti naquele dia sentada na sala de cinema a ver um filme que escolhi porque o actor era giro e a história me parecia gore o suficiente para irmos ver sem pais a chatearem-nos.

E foi assim que o David Fincher me conquistou. E foi assim que percebi que o Brad Pitt era mais do que giro. E foi assim que o Morgan Freeman se tornou um ícone para mim.


Hoje, 15 anos mais tarde, deitada na minha cama a curar uma constipação, continuo a sentir-me arrepiada perante a crueldade dos crimes, continuo a adorar as actuações, continuo a quase sentir a necessidade de esconder a cara quando aparece mais uma vítima, continuo a adorar a luz e a fotografia que nos transportam para uma era tão negra, tão negra que quase queremos desistir.


No entanto, hoje, 15 anos mais tarde e com o entusiasmo das minhas convicções, sinto-me muito mais identificada com a personagem de Brad Pitt do que com a do Morgan Freeman. Com 15 anos, a depressão da adolescência, levava-me a pensar que Sommerset (a personagem sábia e desiludida de Morgan Freeman) teria razão e que as pessoas e o mundo são tão cruéis que nada nos resta senão aceitar a vida como ela é. Hoje, quase com 30 anos, identifico-me muito mais com David Mills (o jovem detective interpretado por Brad Pitt). Mills acredita que, apesar de tudo, temos que continuar a tentar ter um impacto no mundo, make a difference. E é nisso que eu acredito. O mundo merece que eu me importe, mesmo que isso não me leve a nada!

Deitei-me com a mesma sensação com que sai do cinema há 15 anos atrás: a vida é f*****...

Tuesday, January 24, 2012

E aqui estão eles...

Parece que vou ter que tirar alguns filmes aos quais não dei atenção da net...

http://oscar.go.com/nominees

Fica a faltar a nomeação portuguesa para o José e Pilar...

Thursday, January 19, 2012

Nevermind the Classics...

Mete-te com o Joe Pesci e vais ver...



Um dos melhores filmes de gangsters de sempre. Passou esta semana na RTP1. É "engraçado" como a violência gratuita bem filmada e explicada consegue ser tão boa de ver!

Martin Scorsese a fazer hits desde 1974 (Taxi Driver).

Monday, December 19, 2011

Not just looks

Ontem vi esta entrevista e gostei muito! Não sou mesmo nada uma Angelina-hater nor lover...

Acho que há alguns filmes em que ela esteve francamente bem, como naquele em que ganhou o Óscar e outros que são o que são, uma peça de entretenimento e só e apenas isso!

Ao contrário de Brad Pitt, são mais os filmes de Angie que não suporto do que aqueles que me interessam. No entanto, estou curiosa para ver esta nova faceta...

Como se sairá Angelina atrás das câmaras?...

Monday, December 12, 2011

Preview

Ainda não consigo escrever sobre isso, porque o filme está, é muito próximo... Mas fica aqui só um excertozinho! Se puderem vão ver porque deve estar mesmo, mesmo a sair...

Neste momento, "Pequenas Mentiras entre Amigos" só está no El Corte Inglês com sessão às 18h45.

Friday, December 2, 2011

E assim nasce a Psicanálise...

Ontem juntamos um grupinho e fomos, finalmente, ver o Dangerous Method do David Cronenberg.


Bem, posso dizer que deixou pelo menos dois membros do grupo acordados durante a noite.

O filme baseia-se na história real da interacção e posterior ruptura entre Sigmund Freud e Karl Jung, duas das mais brilhantes mentes do séc. XX e os pais da psicanálise.

É interessante verificar como as duas pessoas que criaram a psicanálise, que hoje em dia usamos para fazer análises profissionais, comerciais, pessoais, etc., eram um bocadinho para o "chanfradas", acho que é a palavra certa...

Do louco se faz o génio, já sabíamos, mas e tu és mais Freudiano ou mais Jungiano? Acreditas que uma pessoa pode reinventar-se e tornar-se numa versão melhor de si própria ou acreditas que tu és quem és e nada vai mudar isso? Eu acho que sou um pouco dos dois, sou quem sou, mas acredito que posso melhorar!

A história começa com a chegada de uma paciente absolutamente perturbada e histérica ao hospital onde Jung desenvolve as suas investigações. Ele acredita que ela é a pessoa que ele sempre esperou para iniciar o seu "tratamento através de conversas". E, a partir daí, desenrolam-se uma série de acontecimentos históricos!

Keira Knightley, pela primeira vez, impressionou-me? E não estou a falar da parte histérica! Irrita-me quando em Hollywood basta uma actriz dar três berros num filme e atirar-se ao chão para ser considerada uma actuação brilhante... Não é só isso que se passa aqui, embora também seja. O que me impressionou nesta actuação é a parte posterior à histérica, impressionou-me a forma como Keira consegue passar que está a reprimir-se e que isso lhe custa, impressionou-me a sexualidade contida nos seus olhos e nos seus movimentos. Gostei muito!

Quanto aos outros actores são igualmente brilhantes. Vincent Cassel faz, como em todos os filmes de Cronenberg, uma personagem louca, sem limites, provocadora, que traz uma lufada de ar fresco a um filme que, caso contrário, poderia ser até demasiado sério!

Não quero falar muito mais sobre o filme, porque não quero revelar nada! É extremamente inquietante, mas a melhor forma de o ver é saber muito pouco e ir vivendo com as personagens as suas dúvidas e inquietações... E sai-se de lá inquieto...

A frase do filme: sometimes you have to do something unforgivable just to be able to go on living...

Wednesday, November 23, 2011

Words that stuck!

"Choose Life. Choose a job. Choose a career. Choose a family. Choose a fucking big television, choose washing machines, cars, compact disc players and electrical tin openers. Choose good health, low cholesterol, and dental insurance. Choose fixed interest mortage repayments. Choose a starter home. Choose your friends. Choose leisurewear and matching luggage. Choose a three-piece suite on hire pur...chase in a range of fucking fabrics. Choose DIY and wondering who the fuck you are on a Sunday morning. Choose sitting on that couch watching mind-numbing, spirit-crushing game shows, stuffing fucking junk food into your mouth. Choose rotting away at the end of it all, pishing your last in a miserable home, nothing more than an embarrassment to the selfish, fucked up brats you spawned to replace yourself.Choose your future.Choose life... Now, why would I do something like that?"

By: Irvine Welsh