
O filme é longo, bem filmado, aparentemente calmo como as paisagens que retrata em longas panorâmicas belíssimas, que nos revelam, certamente, os últimos pedaços do vasto Oeste americano, mas contrastam com a tempestade interior das personagens. Tal como a paisagem, também esta só se adivinha por pequenas pistas que nos são dadas por olhares, gestos e maneirismos. Os close-ups estão lá para nos dar essas pistas. A dualidade panorâmica – close-up e calma-raiva são uma constante ao longo do filme, que não chega, no entanto, para prender a atenção durante 3 longas horas… Todos sabemos o desfecho do filme, o que faz com que este perca ainda mais o interesse.
No entanto, a mim interessa-me esta imagem de Western desencantado. Sou sincera: sou das pessoas menos fãs daqueles Westerns à John Wayne e não lembro o Bonanza com carinho… Acho que há facetas do Oeste americano dos tempos das aventuras muito mais interessantes para relatar ou as formas de narrativa é que nunca foram escolhidas duma maneira que me apelasse. Este é um filme, porém, que me interessava e gostei muito da história. Apesar de já ter lido bastante informação sobre Jesse James e a forma como este foi assassinado vê-la é sempre diferente. E este é um filme onde a Lei substitui a Aventura, onde a brutalidade do Oeste é mostrada como ela era: cruel, sem remorsos.
O argumento é fantástico. Robert Ford é like a puppet on a string, sendo Jesse James o marionetista mais perfeito e discreto que existe, ao ponto de Ford acreditar que é um herói, mas apenas é o instrumento que James usa para se tornar imortal, para morrer quando a sua carreira ainda estava no auge e ele ainda era temido por todos.